Friday, June 09, 2006

CHINELOS

Os chinelos ali estavam...
Sem utilidade, empoeirados, esquecidos
Seus pés, inchados, imóveis, frios!
Seus olhos, fixos,
fitavam os chinelos, com desejo!
Nunca os tinha desejado com tamanha avidez!
Uma paixão súbita... irresistível!
Uma doença crônica, irreversível!
Pedras, brasas, espinhos,
substituíram as plumas
Que outrora forravam
A estrada por aqueles chinelos percorrida,
Levando-o à rota do prazer, da alegria,
da vida!
Precisava ir...
Estava tão cansado...
Os chinelos alados...
Ah, aqueles chinelos o levariam!
Pela janela, feixes da luz do sol penetravam
o recinto e batiam-lhe no rosto...covardes!
Nada mais poderia aquecê-lo!!!
Ah, os chinelos, ali estavam!
Precisava seguir...
A filha, triste com aquele olhar de misericórdia,
desespera(dor),
olhando com desejo o par de chinelos!
aproxima-se,
Uma lágrima escorre de seus olhos frios, opacos
Um aperto de mão....
Um olhar terno...
Um suspiro...
Um adeus!
Os chinelos... ali, no chão!

Bem-te-vi-Benvinda Palma
Adm.SPP
))§((

2 comments:

Arlete Castro said...

Benvinda querida, adoro este poema. É triste mas é lindo! Parabéns! É dos teus melhores.

Bjs

Benvinda Palma said...

Arlete, querida amiga!

Obrigada por seu carinho e amizade, tão preciosos para mim!

Seus comments me trazem um grande estímulo e alegria no coração!

Beijos carinhosos!